Criado em 12/08/2026
Por Barbara Oliveira
CFO e Reforma Tributária: eficiência, controle e tecnologia
Durante muito tempo, a Reforma Tributária foi tratada como um tema essencialmente fiscal. Mas seus impactos vão muito além da legislação.
Ela afeta caixa, processos, tecnologia, governança, compliance, planejamento financeiro e tomada de decisão. Por isso, mais do que uma mudança nas regras tributárias, a Reforma exige uma nova forma de operar.
Foi esse o ponto central do painel “O novo papel do CFO diante da Reforma Tributária: eficiência, controle e tecnologia”, mediado por Marian Canteiro, CEO da Pag Útil, no segundo dia do 20º Fórum de Gestão Fiscal e Tributária, em São Paulo.
A conversa contou com a participação de Barbara Andrade, CFO da Boca Rosa Company, e Ana Bela Gomes, Indirect Sr. Tax Manager da Unilever, reunindo diferentes perspectivas sobre os impactos práticos da Reforma para as áreas financeira, tributária e estratégica das empresas.
Logo na abertura, Marian trouxe uma reflexão importante:
“A Reforma Tributária envolve a empresa toda. É hora de o CFO ser protagonista.”
Essa frase resume um dos principais aprendizados do painel: a Reforma não pode ser conduzida de forma isolada por uma única área. Ela pede conexão entre fiscal, financeiro, tecnologia, operações e liderança.
A Reforma Tributária expõe a maturidade dos processos
Um dos pontos levantados por Bárbara Andrade foi que a Reforma Tributária impacta muito mais o dia a dia das empresas do que muitas pessoas imaginam.
Mais do que alterar tributos, ela evidencia a forma como a empresa está organizada internamente.
Se os processos são frágeis, manuais ou pouco integrados, a Reforma tende a expor essas lacunas.
“A Reforma expõe quem não tem processos bem definidos. Ela exige conexão e estratégia.”
Essa visão é especialmente importante porque muitas empresas ainda tratam rotinas fiscais e financeiras como processos operacionais separados. O fiscal calcula, o financeiro paga, a tesouraria organiza o caixa e a tecnologia entra apenas quando existe uma demanda específica. Mas esse modelo tende a perder força.
Com a Reforma Tributária, as empresas precisarão revisar cadastros, fornecedores, fluxos de pagamento, conciliação, previsibilidade de caixa, integração de sistemas e governança sobre dados.
Em outras palavras: não basta apenas entender a nova legislação. É preciso preparar a sua operação para funcionar dentro desse novo cenário.
Fiscal e financeiro precisam sentar à mesma mesa
Durante o painel, Marian reforçou que a Reforma aproxima áreas que antes, muitas vezes, atuavam de forma independente.
“Tributário e financeiro precisam estar juntos, sentando na mesma mesa.”
Essa integração será essencial porque as decisões tributárias passam a ter impacto direto no caixa, na previsibilidade financeira e na gestão de riscos.
Do lado tributário, Ana Bela Gomes destacou a importância de construir uma parceria entre todas as áreas envolvidas na Reforma. A área fiscal precisa deixar de atuar apenas como suporte técnico e passar a contribuir de forma mais estratégica para as decisões do negócio.
Isso significa levar o olhar fiscal para discussões sobre operação, tecnologia, fluxo financeiro, planejamento e compliance.
A Reforma, portanto, provoca uma mudança cultural que envolve processos, pessoas e a forma como as áreas trabalham juntas.
O CFO assume um papel ainda mais estratégico
O papel do CFO já vinha mudando nos últimos anos. O executivo financeiro deixou de ser visto apenas como responsável por números, fechamento e orçamento, passando a atuar como um líder estratégico do negócio.
A Reforma Tributária acelera esse movimento.
Agora, o CFO precisa olhar para temas como:
- Impacto no fluxo de caixa;
- Previsibilidade financeira;
- Capital de giro;
- Liquidez;
- Investimentos em tecnologia;
- Integração entre áreas;
- Riscos tributários e financeiros;
- Governança;
- Eficiência operacional.
Isso coloca o CFO em uma posição central na condução da transformação.
Afinal, se a forma de arrecadação muda, se os prazos mudam e se o fluxo financeiro é impactado, a liderança financeira precisa estar envolvida desde o início.
Split Payment: o impacto direto no caixa das empresas
Um dos temas mais relevantes do painel foi o Split Payment.
A discussão mostrou que esse modelo exigirá uma atenção ainda maior ao fluxo financeiro, à previsibilidade e à integração entre áreas.
Ana Bela reforçou que será necessário ter “olhos no fluxo” e começar a trabalhar com mais profundidade em forecast, conectando o olhar tributário ao planejamento financeiro.
Já Bárbara trouxe uma preocupação prática do ponto de vista do CFO: a necessidade de conciliar melhor contas a receber e contas a pagar, além de adotar uma postura mais conservadora em relação ao capital de giro.
Em um cenário de Split Payment, o caixa precisa estar preparado.
Isso porque mudanças na forma como os tributos são recolhidos podem afetar liquidez, planejamento e necessidade de financiamento. E, embora buscar financiamento possa ser uma estratégia em alguns casos, também pode representar risco quando não existe previsibilidade suficiente sobre o fluxo financeiro.
Por isso, a Reforma reforça a importância de planejamento, dados confiáveis e processos bem estruturados.
Com o Split Payment, tecnologia deixa de ser opção
Marian trouxe uma provocação direta sobre o papel da tecnologia nesse novo cenário:
“Para ganhar fôlego com o Split Payment, é só com tecnologia. Quem não tiver o processo automatizado fica para trás.”
O Split Payment tende a exigir mais integração entre fiscal, financeiro, tesouraria, tecnologia e operação. Se a empresa ainda depende de planilhas, lançamentos manuais, aprovações dispersas, conferências pontuais e processos pouco rastreáveis, a adaptação pode se tornar muito mais complexa.
A tecnologia passa a ser uma infraestrutura necessária para lidar com volume, velocidade e controle.
Não se trata apenas de automatizar por produtividade. Trata-se de garantir que a empresa tenha visibilidade, segurança e capacidade de resposta em um ambiente tributário mais dinâmico.
A Reforma simplifica tributos, mas não simplifica a empresa sozinha
Uma das falas mais fortes da Marian durante o painel foi:
“A Reforma veio para simplificar os tributos, mas não a empresa.”
Essa frase resume bem o desafio.
A simplificação tributária não elimina automaticamente a complexidade operacional. Pelo contrário: até que as empresas estejam preparadas, o período de transição pode exigir ainda mais controle, adaptação e integração.
Será necessário rever processos, sistemas, responsabilidades e fluxos internos. E essa mudança não acontece apenas com conhecimento técnico. Ela demanda abertura para aprender, ajustar e evoluir.
Como destacou Barbara, será necessário estar de coração aberto para mudanças e aprendizados.
Depois do cálculo, vem o pagamento
Grande parte das discussões sobre Reforma Tributária está concentrada no cálculo dos tributos. E isso é natural, já que as novas regras impõem adaptação técnica. Mas, existe uma etapa que não pode ser subestimada: depois que o tributo é calculado, ele precisa ser pago.
Esse pagamento precisa acontecer com controle, rastreabilidade, aprovação, segurança e integração com o financeiro. Em muitas empresas, essa rotina ainda depende de processos manuais, acessos a múltiplos bancos, comprovantes dispersos, aprovações por e-mail ou planilhas paralelas.
Em um cenário de Reforma Tributária, esse tipo de fragilidade tende a pesar ainda mais. O pagamento tributário deixa de ser uma etapa puramente operacional e passa a fazer parte da gestão de risco, da previsibilidade financeira e da governança da empresa.
Como a Pag Útil ajuda nesse cenário
Se a Reforma Tributária exige mais integração, controle e eficiência, os pagamentos tributários também precisam evoluir. E é exatamente nesse ponto que a Pag Útil atua.
Pioneira na centralização de pagamentos tributários por meio de uma carteira digital desde 2019, a Pag Útil ajuda empresas a automatizarem e centralizarem o pagamento de tributos, conectando as áreas fiscal e financeira em um fluxo mais simples, seguro e rastreável.
A plataforma permite centralizar pagamentos tributários, além de boletos, contas e guias judiciais, reduzindo a dependência de processos manuais, acessos a múltiplos bancos e controles dispersos. Além disso, a Pag Útil segue evoluindo sua infraestrutura para conectar o universo fiscal ao financeiro, integrando pagamentos, ERP e conciliação.
Em um momento em que a Reforma cobra revisão de processos, tecnologia e integração entre áreas, olhar para o pagamento tributário é fundamental. Quer preparar sua empresa para uma rotina tributária mais integrada, automatizada e segura?