E-commerce

Criado em 29/04/2026
Por Barbara Oliveira

O financeiro não trava na estratégia. Trava na operação.

O financeiro não trava na estratégia. Trava na operação.

Isso ficou ainda mais claro no VTEX Day 2026. Ao assistirmos um painel sobre inteligência artificial no varejo, o que apareceu de verdade não foi tecnologia. Foi a dificuldade das empresas em fazer a operação acompanhar.

No palco, Carolina Guimarães, Michelle Piñeiro e Isabel Macedo, falaram abertamente sobre erros, aprendizados e o que realmente funciona quando uma empresa do varejo decide transformar sua operação com inteligência artificial.

A conclusão foi direta: sem cultura, sem dados e sem processo, nenhuma tecnologia entrega o que promete.

Esse descompasso não fica só na operação do negócio. No financeiro, ele aparece até antes da IA. Empresas que já investiram em automação de processos financeiros ainda não conseguiram sair do operacional.

Construímos esse artigo trazendo o olhar dos especialistas da Pag Útil sobre o tema. Boa leitura.

“A tecnologia chega mais rápido do que a cultura consegue absorver”

Essa foi a provocação que abriu o debate:

“A gente ouviu muito: ‘a gente tem uma supersolução, ótima, mas a gente não consegue usar’.” (Carolina Guimarães)

O problema não estava na ferramenta. Estava na qualidade dos dados e na dificuldade dos times em transformar isso em valor.

Para equipes financeiras e tributárias, a cena é igualmente comum. Um novo sistema é implantado. Os módulos estão lá. As funcionalidades existem. Mas na prática, os lançamentos ainda são feitos manualmente, as guias ainda são geradas uma a uma, e a conferência de tributos ainda depende de alguém que “conhece o sistema de cabeça”.

O sistema mudou. A forma de trabalhar, não.

O verdadeiro desafio é cultural

Michelle Piñeiro foi ainda mais direta:

“Por incrível que pareça, nosso maior desafio não é tecnológico. É o capital humano. Se você não tem o mindset de digitalização dentro da cultura organizacional, nada que você traga como solução milagrosa vai funcionar.”

No contexto do financeiro corporativo, isso se traduz em algo muito concreto: enquanto a liderança debate qual plataforma adotar, o time ainda paga DARF manualmente, controla vencimentos em planilha e descobre inconsistências só na hora da auditoria.

A transformação não começa na tecnologia. Começa na pergunta: o time está preparado para operar de forma diferente?

Tecnologia não substitui. Liberta.

Um dos momentos mais marcantes do painel foi quando Carolina usou uma analogia simples para desfazer o medo da substituição:

“Quando nasceu a fotografia, os artistas não perderam espaço. Foram libertados para não ter que retratar o mundo real. O Excel não substituiu o analista, ele liberou o analista para tomar decisões mais sofisticadas. Com a IA é igual.”

A lógica é a mesma. Automatizar pagamentos, conciliação e o controle de obrigações não elimina o analista. Liberta ele para fazer o que realmente gera valor: análise de risco, planejamento tributário, revisão de enquadramento de regime e antecipação de mudanças regulatórias.

Processos fragmentados na operação financeira criam gargalo

A pergunta final do painel foi polêmica de propósito: “Se vocês tivessem que matar um único processo do varejo tradicional, qual seria?”, Michelle não hesitou:

“Destravar as decisões centralizadas. Isso traz lentidão dentro de uma organização que precisa de agilidade.”

No financeiro, esse processo tem nome e sobrenome: operação fragmentada. Pagamentos espalhados entre bancos, aprovações descentralizadas por e-mail, validações manuais antes de cada envio. Enquanto isso, o prazo vence. Os juros correm. E a multa aparece.

A automação de processos financeiros entra exatamente aqui, não só executando mais rápido, mas organizando o fluxo. Menos pontos de controle, menos dependência manual e mais previsibilidade sobre o que sai do caixa e quando.

A curadoria humana continua sendo insubstituível

O painel também trouxe um contraponto importante:

“Mais importante do que receber uma chuva de informações é saber fazer a pergunta certa.”

A automação executa, mas quem define as regras, valida as exceções e interpreta os resultados é o profissional. Nenhum sistema decide sozinho se uma operação tem risco de autuação, se vale questionar um enquadramento ou se faz sentido antecipar um recolhimento por estratégia de caixa.

A inteligência artificial amplia a capacidade humana. Não substitui.

O que fica claro na operação financeira

Ao longo das conversas, um padrão se repetiu:

Dados ruins travam qualquer solução. Base cadastral inconsistente gera guias erradas, pagamentos duplicados e divergências.

Cultura precede tecnologia. A automação só funciona se o time entende o processo e confia na ferramenta.

Tecnologia liberta para o estratégico. Automatizar tributos recorrentes libera o analista para planejamento e revisão.

Processos fragmentados na operação financeira criam gargalo. Aprovações manuais em cascata atrasam pagamentos e aumentam o risco de multa.

Curadoria humana é insubstituível. Validação final, tratamento de exceções e interpretação tributária continuam sendo humanas.

Para fechar: a pergunta que vale fazer agora

Carolina resumiu bem o movimento do varejo:

“A gente tem que parar de querer ofertar o que a gente quer vender e passar a ofertar o que o cliente quer comprar.”

No financeiro, a tradução seria: parar de operar do jeito que sempre foi feito e começar a operar do jeito que a empresa de hoje precisa. Mais ágil, mais automatizada, mais orientada a dados.

Porque enquanto o time ainda está digitando código de barras manualmente, o mercado já está operando com processos que pagam, conciliam e reportam sem intervenção.

A sobrevivência no varejo passa pela transformação digital. No financeiro corporativo, não é diferente. A diferença é que, aqui, a consequência não é só perder venda. É perder controle.

Acompanhe o blog da Pag Útil e veja como automatizar e ganhar controle em um cenário cada vez mais complexo.

 

Este artigo foi produzido a partir do painel “Guia de Sobrevivência pro Varejo Tradicional na Era da IA”, apresentado no VTEX Day 2026 com participação de executivas da Riachuelo, Monte Carlo Joias e VTEX.

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