Criado em 21/09/2026
Por Barbara Oliveira
Reforma Tributária na logística: impactos na operação
Quando se fala em Reforma Tributária na logística, é comum que a discussão fique concentrada nas áreas fiscal e financeira, porém, os efeitos chegam muito além delas. Uma informação incorreta pode interromper uma operação, atrasar uma entrega, afetar o faturamento e até comprometer a relação com o cliente.
Esse foi um dos pontos discutidos por Marian Canteiro, da Pag Útil, ao lado de Cristina, da área financeira, e Jefferson, da área de operações da Anjun, durante um painel do Fórum de Logística. A conversa trouxe situações do dia a dia para mostrar como a Reforma pode impactar uma operação que começa na nota fiscal e termina na entrega.
A discussão passou por processos, tecnologia, logística reversa, fornecedores, fluxo de caixa e comunicação entre áreas. Em diferentes momentos, a mesma necessidade apareceu: integrar as decisões para que uma mudança em uma etapa não gere um problema em outra.
Uma informação fiscal pode parar a operação
Na logística, as etapas estão conectadas. Um problema no início da cadeia pode aparecer muito mais adiante, inclusive na entrega.
Durante o painel, Cristina deu um exemplo prático: se o cadastro do cliente não estiver correto, as informações da nota fiscal também podem sair erradas. A mercadoria pode ser parada, a entrega atrasa e, a partir daí, o impacto chega a outras áreas.
O faturamento pode ser afetado, o cliente pode cobrar o prazo e a empresa ainda pode perder confiabilidade na prestação do serviço.
Ou seja, uma questão que começa em uma informação fiscal pode terminar como um problema operacional e financeiro.
Esse olhar de ponta a ponta foi um dos pontos centrais da conversa. Para a operação logística, não basta acompanhar apenas o que acontece depois que a mercadoria entra em trânsito. É preciso entender o que acontece antes dela chegar à estrada e como cada decisão interfere no restante da cadeia.
Reforma Tributária na logística: processos e tecnologia
A Reforma Tributária na logística também coloca em evidência processos que ainda dependem de atividades manuais, planilhas e informações espalhadas entre diferentes sistemas.
Mas automatizar, por si só, não resolve um processo ruim.
Cristina chamou atenção justamente para isso: uma tecnologia de ponta depende da qualidade das informações que recebe. Se existem gargalos no processo, a automação pode apenas ampliar um problema que já estava ali.
Antes de escolher uma ferramenta, portanto, é preciso entender como o processo funciona, identificar os gargalos e corrigi-los.
Marian resumiu essa ideia durante o painel com uma comparação direta:
“Não adianta ter uma Ferrari e não saber dirigir.”
A lógica vale para a própria preparação das empresas. Não adianta ter um sistema fiscal, um TMS, uma ferramenta financeira ou qualquer outra tecnologia isoladamente se as informações necessárias para a operação não circulam entre eles.
A logística reversa também muda de perspectiva
A operação logística não termina quando o produto chega ao cliente.
Cancelamentos e devoluções fazem parte da rotina e exigem que a empresa acompanhe o caminho de volta da mercadoria e das informações.
Durante o painel, Marian levantou justamente essa situação ao discutir os possíveis impactos do Split Payment sobre a logística reversa. Se uma operação for desfeita, a empresa precisará acompanhar o que aconteceu com as informações e com os valores envolvidos.
Cristina complementou a discussão destacando a necessidade de sistemas integrados para acompanhar essas movimentações e realizar as conciliações necessárias.
A questão, portanto, não está apenas em fazer o produto voltar para o estoque. É preciso conseguir acompanhar o que acontece com a operação financeira e tributária relacionada à devolução.
E isso exige integração.
Como destacou Cristina, não adianta ter o melhor sistema para a operação, outro para a área fiscal e um terceiro para o financeiro se nenhum deles conversa com os demais.
O impacto também chega aos fornecedores
A integração também precisa chegar às decisões de compras e à relação com os fornecedores.
Durante o painel, a discussão passou pela importância de considerar os aspectos tributários nas escolhas que afetam a operação. Para quem trabalha em logística, isso significa entender que uma decisão sobre fornecedor pode ter consequências financeiras e até operacionais.
Cristina trouxe um exemplo relacionado ao crédito da empresa. Segundo ela, uma empresa com melhor crédito no mercado pode ter mais poder de negociação com fornecedores.
A lógica é simples: quando uma área entende como sua decisão afeta as demais, fica mais fácil avaliar o impacto daquela escolha no conjunto da empresa.
Por isso, operações, compras, fiscal e financeiro precisam participar das decisões que interferem na cadeia. A definição de fornecedores, por exemplo, pode afetar custos, planejamento e até as rotas utilizadas pela operação.
O caixa precisa entrar na conversa
Outro ponto importante do painel foi o fluxo de caixa.
Empresas que trabalham com determinados prazos entre o recebimento de uma venda e o pagamento dos tributos podem precisar rever seu planejamento conforme as mudanças da Reforma forem avançando.
Esse impacto não deve ser tratado apenas pelo financeiro. Compras, comercial, operações e tributário também precisam participar da discussão para entender como as mudanças podem afetar o caixa e quais decisões precisam ser tomadas.
Durante a conversa, Cristina também destacou que o financeiro precisa atuar como um viabilizador das operações.
Para isso, porém, é necessário que as demais áreas entendam o impacto financeiro das próprias decisões. Um contrato, uma escolha de fornecedor, uma decisão operacional ou uma informação incorreta podem repercutir no caixa da empresa.
A previsibilidade também entra nessa equação. Quanto mais pontos da operação estiverem desconectados, mais difícil fica entender de onde veio um problema e qual área precisa agir para resolvê-lo.
Comunicação também faz parte da preparação
Se cada área entende apenas a própria parte do processo, a integração fica mais difícil.
Esse foi outro ponto forte da conversa. Para Cristina, o financeiro precisa conseguir explicar para cada departamento como a Reforma e as decisões daquela área podem afetar o restante da empresa.
A mesma lógica vale para operações, fiscal, compras e jurídico.
Não é necessário que a operação faça uma apuração tributária. Mas ela precisa entender o peso que uma decisão tributária pode ter no trabalho que executa.
Durante o painel, Cristina resumiu essa ideia em uma frase:
“Seja um bom comunicador, se faça ser entendido.”
A orientação é simples, mas tem uma consequência prática. Em vez de levar o mesmo discurso técnico para todos os departamentos, cada área precisa entender como a mudança afeta seu próprio trabalho.
Reforma Tributária na logística: o que a operação precisa levar para a prática?
A discussão do painel pode ser traduzida em alguns pontos de atenção para as empresas que estão se preparando para a Reforma Tributária:
- Mapear os processos atuais: entender onde existem atividades manuais, retrabalho e gargalos.
- Revisar a integração entre sistemas: fiscal, financeiro e operação precisam compartilhar as informações necessárias para cada etapa.
- Olhar para o processo de ponta a ponta: uma decisão fiscal ou financeira pode gerar consequências na entrega, no faturamento e no atendimento ao cliente.
- Incluir o caixa no planejamento: avaliar como mudanças nos fluxos financeiros podem afetar a operação.
- Envolver as áreas certas nas decisões: compras, comercial, operações, fiscal e financeiro precisam participar das discussões que impactam a cadeia.
- Adaptar a comunicação: cada departamento precisa entender a Reforma a partir dos impactos que ela pode gerar no próprio trabalho.
A preparação, portanto, não começa pela escolha de uma nova ferramenta. Começa por entender como a empresa funciona hoje e quais pontos precisam estar conectados para que a operação continue funcionando.
Onde entra a Pag Útil?
Na logística, o pagamento de tributos também faz parte dessa cadeia.
A Pag Útil atua justamente nessa etapa, centralizando o pagamento de tributos em uma carteira digital corporativa e permitindo acompanhar as transações e seus comprovantes em um único fluxo.
Para operações logísticas, a GNRE é um exemplo importante. A Pag Útil permite a liquidação 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive fora do expediente bancário tradicional.
Na prática, isso ajuda a reduzir o tempo entre a necessidade de pagamento e a continuidade da operação, evitando que uma etapa financeira se transforme em mais um ponto de espera para a logística.
A preparação começa antes da mudança chegar à operação
A Reforma Tributária tem uma transição gradual e, em 2026, já existem mudanças relacionadas aos documentos fiscais eletrônicos e à implementação de IBS e CBS. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS também vêm atualizando cronogramas e regras de implementação ao longo do ano.
Esse cenário reforça um ponto levantado durante o painel: as empresas precisam acompanhar as definições, mas também precisam olhar desde já para os próprios processos.
Para a logística, isso significa entender como uma mudança na informação fiscal pode chegar à operação, como os sistemas vão trocar dados, como devoluções serão tratadas, como fornecedores podem afetar a cadeia e como o fluxo de caixa pode ser impactado.
A Reforma Tributária não deve ser tratada como um projeto isolado do fiscal ou do financeiro. Na operação logística, seus efeitos passam por diferentes etapas e dependem de informações que precisam chegar ao lugar certo, no momento certo.
Por isso, preparar a empresa também significa preparar a conexão entre as áreas.
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