Financeiro

Criado em 13/04/2026
Por Barbara Oliveira

Reforma tributária: quando a falta de caixa mata empresas

Reforma tributária: quando a falta de caixa mata empresas

A reforma tributária e o split payment aumentam a pressão sobre o fluxo de caixa. E o que muda na gestão financeira é mais profundo do que parece.

Muita empresa apresenta lucro no resultado, faturamento crescendo, mas enfrenta dificuldades reais no dia a dia. Não por incompetência. Por falta de liquidez.

No painel que a Pag Útil participou no Tax Summit, com Marian Canteiro, CEO e Co-Founder da Pag Útil, Caroline Souza, CFO da ROIT, e Nicholas Meira, COO da Power Tax Brasil, a provocação foi essa:

Por que tantas empresas lucrativas ainda quebram?

Lucro não garante caixa: o erro que leva empresas a quebrar

Na prática, ainda é comum ver empresas crescendo em receita, operação, resultado contábil e, ao mesmo tempo, enfrentando pressão de caixa.

Não é contradição. É descasamento.

Lucro é construído por competência. Caixa é realidade.

Enquanto o lucro reconhece receitas e despesas independentemente do pagamento, o caixa responde ao que efetivamente entrou e saiu. E é aí que mora o risco.

A empresa cresce, alonga prazo para clientes, aumenta estoque, e o caixa começa a sentir. O resultado segue positivo. A conta, nem sempre.

Crescer faturamento sem gerir capital de giro é a forma mais rápida de destruir caixa. E é o ciclo de conversão de caixa que mostra se o crescimento está saudável… ou consumindo liquidez.

Esse descasamento pode ser silencioso e só aparecer quando já é tarde. A pandemia deixou isso muito claro: cerca de 716 mil empresas fecharam as portas entre 2020 e 2021, 98% delas de pequeno porte. O problema, na maioria dos casos, não foi falta de receita. Foi falta de liquidez.

Quando o remédio vira problema

Diante do aperto, o movimento natural é recorrer a crédito. Funciona no curto prazo. Mas tem um ponto de virada.

Se o custo da dívida é maior que o retorno da operação, o crescimento deixa de gerar valor. Começa a consumir.

Em um cenário de juros elevados, isso ganha outra dimensão. O crédito vira ponte, mas é uma ponte cara. E nem sempre a solução está fora.

Muitas vezes, o caixa está dentro da própria operação, em créditos não aproveitados ou revisões tributárias negligenciadas.

O problema é que isso ainda é tratado como tema fiscal. Quando, na prática, é uma decisão de caixa.

Reforma tributária e split payment: impacto direto no fluxo de caixa

Com a reforma tributária e o avanço do split payment, essa equação tende a ficar ainda mais sensível.

Hoje, existe um intervalo entre receber e pagar tributos, o chamado float, que ajuda, na prática, a sustentar a operação.

Com o split payment, esse intervalo desaparece. O impacto pode chegar a 50 ou 60 dias de capital de giro fora do caixa.

Quem não estiver preparado vai cobrir esse gap com dívida. E aí o problema de liquidez, que já existia, fica ainda mais apertado.

O efeito não será igual para todos. Setores com margens mais apertadas, ciclos longos de recebimento ou alto volume de transações, como varejo, indústria e serviços, tendem a sentir a mudança com mais intensidade. Para essas empresas, a perda do float não é um detalhe operacional. É um impacto direto na capacidade de sustentar o dia a dia.

Empresas mais estruturadas absorvem essa mudança com eficiência. As demais perdem margem para cobrir o que o float cobria antes.

Estar preparado deixa de ser só uma questão de compliance. Vira vantagem competitiva.

O maior gap: fiscal e financeiro ainda não conversam

Um dos pontos mais críticos levantados no painel foi a falta de integração entre áreas.

Ainda hoje, fiscal e financeiro operam em silos dentro da maioria das empresas, um focado em compliance, o outro focado em caixa.

Mas esse modelo não sustenta o novo cenário.

Empresas mais maduras já tratam tributo como variável estratégica, acompanhando o impacto das decisões fiscais no ciclo de caixa, na formação de preços e na geração de liquidez. Não é só sobre pagar o imposto certo. É sobre entender quando e como esse pagamento afeta a operação.

Tributo deixa de ser apenas obrigação. Passa a ser variável de caixa. E isso exige decisão integrada.

É aqui que o jogo muda:

O problema não é pagar imposto. É pagar antes de ter o dinheiro. 

Liquidez é o que mantém a empresa viva. Lucro é o que a faz crescer. 

Gestão de caixa hoje é estratégia, não é backoffice.

E num cenário de reforma estrutural, a pergunta não é se sua empresa vai sentir o impacto, mas quando e se ela vai estar preparada.

Fique ligado no blog da Pag Útil para entender, de forma clara e prática, como as mudanças da Reforma Tributária impactam a rotina financeira e tributária das empresas brasileiras!

Este artigo foi útil?