Financeiro

Criado em 09/04/2026
Por Barbara Oliveira

Split Payment e Caixa: o que muda para as empresas?

Split Payment e Caixa: o que muda para as empresas?

Muito da discussão sobre o impacto do split payment no caixa das empresas ainda está centrada em datas. Quando começa? O que muda em 2026? Qual o cronograma?

No painel que a Pag Útil participou no Tax Summit, com Marian Canteiro, CEO e Co-Founder da Pag Útil, Tatiane Santos, Gerente Tributária na Special Saúde, e Lauren Gomes, Tax Manager na Realme, a provocação foi outra:

As empresas brasileiras estão prontas para abrir mão do próprio caixa?

Porque é isso, no fundo, que o split payment faz. Ele elimina o tempo entre receber e repassar o imposto — o chamado float tributário — que hoje, na prática, ajuda a financiar a operação de muitas empresas.

Uma pesquisa de janeiro de 2026 apontou que 72% das empresas de médio e grande porte ainda não estão preparadas para a Reforma Tributária, especialmente nos pontos que exigem integração entre áreas, qualidade de dados e parametrização fiscal.

Split payment: a complexidade não acaba, muda de lugar

É confortável dizer que o split payment vai acabar com a sonegação. Mas não é verdade.

O que ele elimina é a sonegação mais simples: não pagar o imposto. Mas não resolve, e pode até ampliar, formas mais sofisticadas, ligadas à classificação fiscal, estrutura de operação e aproveitamento de créditos.

Na prática, a pergunta muda. Sai o “vou pagar ou não vou pagar?” e entra: “estou operando do jeito certo?”

A complexidade não desaparece. Ela sai do recolhimento e vai para dentro da empresa.

Sem o float tributário, quem vai financiar a operação?

Com o fim do float tributário, uma lacuna se abre no caixa e alguém vai ter que ocupar esse espaço. Não é o governo.

Sobram três caminhos: crédito, negociação ou eficiência operacional. E eficiência, a gente sabe, não se constrói do dia para a noite.

Tem ainda outro ponto que agrava esse cenário: o modelo do IVA é construído sobre uma promessa de neutralidade. O imposto não deveria ser custo para quem está no meio da cadeia, apenas para o consumidor final. Mas essa neutralidade só existe se o crédito for reconhecido e recuperado com rapidez.

Qualquer atraso transforma o imposto em custo financeiro. E aí a discussão deixa de ser tributária e passa a ser de caixa: quem aguenta carregar esse crédito no balanço enquanto espera a compensação?

O risco que ainda está fora do radar

Tem um ponto pouco discutido: erros vão acontecer.

E, em um ambiente automatizado, eles não são pontuais. Eles escalam.

Uma inconsistência pode afetar milhares de transações ao mesmo tempo, e aí surge um problema concreto: quem devolve esse dinheiro e quando? Se esse ciclo não for rápido, as empresas passam a financiar o Estado sem perceber. Pelo menos no começo.

O mesmo vale para o contencioso com o Fisco. A automação não vai reduzir conflitos, vai antecipá-los. O que antes levava um bom tempo para virar discussão agora acontece quase em tempo real. O contencioso deixa de ser jurídico e passa a ser tecnológico. Mais frequente, mais operacional e com impacto imediato no caixa.

Isso não é um projeto tributário

Tratar o split payment como um tema exclusivamente fiscal é um erro.

O que está em jogo é mais amplo. É um projeto de tecnologia, de finanças, de operação e, principalmente, de modelo de negócio.

A área de tecnologia passa a ser protagonista, ao lado do fiscal, na sustentação desse modelo. E mais: em um ambiente com menor tolerância a erro e impacto financeiro imediato, a decisão fiscal deixa de ser retroativa. Ela precisa ser correta no momento da operação. 

Porque o imposto sai da retaguarda e passa a fazer parte do fluxo operacional da empresa.

A pergunta que fica

A discussão não é se o modelo é melhor ou pior. 

É outra: quem vai se adaptar mais rápido e quem vai pagar o preço dessa transição?

No novo cenário, não vence quem apura melhor. Vence quem consegue operar melhor.

Fique ligado no blog da Pag Útil para entender, de forma clara e prática, como as mudanças da Reforma Tributária impactam a rotina financeira e tributária das empresas brasileiras!

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