Financeiro

Criado em 20/07/2026
Por Barbara Oliveira

Reforma Tributária: por que não é só do fiscal?

Reforma Tributária: por que não é só do fiscal?

A Reforma Tributária ainda é tratada por muitas empresas como um projeto conduzido pela área fiscal. Mas limitar essa discussão a um único departamento pode deixar de fora decisões que impactam diretamente o negócio.

Durante sua participação no Performa Q.Pod, da CBN Campinas, Marian Canteiro, CEO da Pag Útil, chamou atenção para esse ponto:

“A Reforma Tributária não é só do fiscal. É reforma de todos os departamentos.”

A fala resume uma mudança de perspectiva: as mudanças tributárias não afetam apenas a apuração e o recolhimento de impostos. Elas influenciam decisões relacionadas a preço, margem, fluxo de caixa, compras, faturamento e tecnologia.

Onde a mudança chega na prática

Ao explicar por que a Reforma precisa envolver diferentes departamentos, Marian destacou três pontos que fazem parte da rotina das empresas:

“Vai impactar preço, vai impactar margem. Você precisa ter caixa.”

A definição de preços, por exemplo, precisa considerar como a nova estrutura tributária pode afetar custos e competitividade.

O planejamento financeiro, por sua vez, precisa acompanhar possíveis reflexos sobre caixa e capital de giro, especialmente durante um período em que empresas convivem com regras antigas e novas ao mesmo tempo.

Compras também têm um papel relevante, já que fornecedores estarão passando pelo mesmo processo de adequação e podem existir impactos em contratos e negociações.

Enquanto isso, o fiscal continua sendo responsável por interpretar a legislação e orientar a aplicação das novas regras dentro da empresa.

O ponto central é que essas decisões não acontecem de forma independente. Quando uma área avalia uma mudança sem considerar seus reflexos no restante da operação, aumentam as chances de retrabalho e desalinhamento.

O financeiro ganha um papel ainda mais estratégico

A Reforma Tributária amplia a participação do financeiro nas decisões da empresa.

Além de acompanhar pagamentos e controlar o caixa, ele passa a participar de discussões relacionadas ao planejamento, à liquidez e ao capital de giro, trabalhando cada vez mais próximo do fiscal, do comercial e de compras.

Essa atuação permite que decisões financeiras acompanhem as mudanças tributárias desde o início, e não apenas quando elas chegam à etapa de execução.

A Reforma Tributária exige informações confiáveis

A nova dinâmica tributária também aumenta a necessidade de informações fiscais e financeiras consistentes. Mudanças como a implementação gradual da CBS e do IBS e a evolução do Split Payment exigem que os dados utilizados pela empresa estejam corretos e disponíveis para as decisões do dia a dia.

Para o financeiro, isso significa ter maior visibilidade sobre pagamentos, caixa e compromissos futuros. Para a operação, significa contar com sistemas e rotinas preparados para acompanhar as novas exigências.

Empresas que ainda dependem de controles manuais, planilhas ou informações descentralizadas podem encontrar mais dificuldade para acompanhar esse cenário.

A preparação começa antes da obrigatoriedade

A implementação será gradual nos próximos anos, mas as decisões que preparam a empresa para esse cenário precisam começar agora. Revisar rotinas, identificar pontos de dependência manual e aproximar as pessoas envolvidas nas decisões ajuda a reduzir riscos durante a transição.

A principal provocação deixada por Marian Canteiro no Performa Q.Pod é que a Reforma Tributária não deve ser vista apenas como uma mudança fiscal. Ela envolve escolhas que impactam o negócio, e empresas que olharem para essa transformação de forma mais ampla estarão mais preparadas para tomar decisões com segurança e previsibilidade.

Veja o episódio completo no YouTube ou ouça pelo Spotify.

Este artigo foi útil?