Criado em 28/04/2026
Por Barbara Oliveira
Gestão de pagamentos: seu financeiro acompanhou as mudanças?
Há alguns anos, o time financeiro de um e-commerce tinha basicamente dois meios de pagamento para gerenciar: cartão de crédito e boleto. A operação não era simples, mas era previsível.
Esse cenário ficou para trás.
No VTEX Day 2026 assistimos o painel “O futuro dos pagamentos no Brasil”, com os executivos Mateus Biselli, Brunno Saura e Fábio Daneluzzi, que discutiram o futuro dos pagamentos no Brasil. E uma fala do Mateus Biselli resume bem o momento atual:
“Mais meios de pagamento são mais maneiras de vender, mas trazem complexidade. São mais itens para gerir no fluxo de caixa.”
O problema não é novo. A escala é. Construímos esse artigo trazendo o olhar dos especialistas da Pag Útil sobre o tema. Boa leitura.
Novas formas de pagamento chegaram. E o fluxo de caixa?
Do lado da venda, mais liberdade. Do lado da operação, mais variáveis.
Quando o consumidor paga com pontos + Pix + crédito parcelado na mesma compra — algo que já acontece nos grandes marketplaces — o financeiro precisa saber de onde veio cada centavo, quando ele entra no caixa e como registrar tudo corretamente.
Agora multiplica isso por centenas ou milhares de transações por dia.
É aqui que o processo manual começa a quebrar.
A gestão de pagamentos na prática: o que muda
Isso rapidamente se traduz em mais complexidade no dia a dia.
Não é só uma nova forma de receber. É um novo conjunto de regras que precisa ser gerenciado pela operação financeira:
Uma nova origem de recebível, que precisa ser identificada e rastreada separadamente;
Um prazo de liquidação diferente, que impacta diretamente a projeção de caixa;
Uma regra específica de conciliação, que precisa ser mapeada e executada com precisão;
Implicações tributárias, que variam conforme o regime fiscal da empresa e o tipo de transação.
O que antes era um fluxo relativamente controlado hoje virou um conjunto de variáveis que cresce mais rápido do que a capacidade do time de gerenciar manualmente.
Não é que o processo tenha ficado mais difícil. Ele ficou maior.
E, em algum momento, escala sem automação deixa de ser operação, vira risco.
O impacto que nem sempre entra na conta
Ainda existe a percepção de que automatizar significa perder visibilidade. Na prática, acontece o contrário.
Não automatizar não garante mais controle. Só mantém o time preso em tarefas manuais que não escalam. Enquanto o financeiro está ocupado cruzando planilhas e validando informações, sobra pouco tempo para análise, projeção e tomada de decisão.
E a complexidade dos pagamentos não afeta só a operação. Afeta diretamente o resultado.
Para empresas com maior volume de transações, como as que operam no Lucro Real e Lucro Presumido, cada variação no recebimento impacta a forma como a receita é reconhecida e, consequentemente, a apuração de tributos.
Se a conciliação falha ou atrasa, o problema não para no financeiro. Ele se espalha para o fiscal. E isso acontece mais rápido do que parece.
Um recorte do Panorama do Contas a Pagar 2026, da Qive, estima que multas por atrasos em boletos alcançaram R$ 1,34 bilhão em 2025. Não por fraude, mas por falhas estruturais: boletos perdidos em caixas de e-mail, divergências entre nota fiscal e forma de pagamento e falta de centralização.
No fim, o custo não está na automação. Está em tudo o que continua sendo feito manualmente.
O que o financeiro precisa considerar agora
Esse cenário não vai simplificar, e a gestão de pagamentos dentro das empresas precisa acompanhar esse ritmo. A tendência é de mais meios de pagamento, mais combinações e mais fragmentação dos fluxos de recebimento.
Diante disso, a pergunta muda:
Não é mais “dá para fazer manualmente?” É “dá para fazer manualmente com a escala e a precisão que a operação exige?”
Na maioria dos casos, a resposta é não.
E reconhecer isso cedo é o que separa operações que ganham controle daquelas que apenas tentam acompanhar a complexidade.
O mercado mudou. A pergunta é: o financeiro da sua empresa acompanhou?